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Doenças que aposentam pelo INSS: entenda como funciona

Muita gente procura por uma "lista de doenças que aposentam". A verdade é mais simples e, ao mesmo tempo, mais importante de entender: para o INSS, o que decide não é o nome da doença, e sim o quanto ela impede você de trabalhar.

É natural pesquisar "quais doenças aposentam" quando a saúde começa a atrapalhar o trabalho. Mas existe um mal-entendido muito comum aqui: as pessoas imaginam que basta ter um diagnóstico da lista certa para o benefício sair. Não é assim que o INSS decide. Neste guia, você entende o que realmente pesa, quais doenças têm um tratamento especial na lei e como se preparar para a perícia.

Não é a doença, é a incapacidade

Este é o ponto central: o INSS não concede benefício "por causa do CID". Duas pessoas com o mesmo diagnóstico podem ter respostas diferentes, porque o que a perícia avalia é a incapacidade para o trabalho, ou seja, se a doença impede (e por quanto tempo) que você exerça a sua atividade. Uma mesma condição pode ser incapacitante para um pedreiro e não para quem trabalha sentado, por exemplo.

Por isso, mais importante do que "estar na lista" é provar como a doença afeta a sua rotina de trabalho. É aí que laudos, exames e relatórios bem detalhados fazem toda a diferença.

Quais benefícios existem por doença

Quando a incapacidade é reconhecida, os principais caminhos são:

SituaçãoBenefício
Incapacidade temporária (você deve se recuperar)Auxílio por incapacidade temporária (o antigo auxílio-doença)
Incapacidade permanente para qualquer trabalhoAposentadoria por incapacidade permanente (a antiga aposentadoria por invalidez)
Sequela que reduz a capacidade, mas não impede o trabalhoAuxílio-acidente (indenizatório, pago junto com o salário)

Se você quer entender a fundo o benefício mais comum, vale ler o nosso guia sobre o auxílio-doença.

As doenças graves que dispensam a carência

Em regra, para receber um benefício por incapacidade é preciso ter um número mínimo de contribuições (a chamada carência). Mas a lei previdenciária (Lei nº 8.213/1991) traz uma lista de doenças graves que dispensam essa carência: nesses casos, basta ter a qualidade de segurado. Entre elas estão, por exemplo:

  • Neoplasia maligna (câncer);
  • Cardiopatia grave;
  • Cegueira;
  • Paralisia irreversível e incapacitante;
  • Doença de Parkinson;
  • HIV/Aids;
  • Nefropatia grave e hepatopatia grave, entre outras.

Essa lista é definida em lei e pode ser atualizada, então ela deve ser conferida no caso concreto. O importante é saber que, para essas doenças, o pouco tempo de contribuição não é, por si só, um obstáculo.

Está doente e não consegue trabalhar?

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A perícia é o momento decisivo

Como tudo gira em torno da incapacidade, a perícia médica é a etapa mais importante. Chegar preparado muda o resultado. Leve:

  • Laudos e relatórios médicos recentes, com o diagnóstico, o CID e a descrição das limitações;
  • Exames que comprovem a doença;
  • Receitas e comprovantes do tratamento em andamento;
  • Se possível, um relatório que relacione a doença com a sua atividade de trabalho.

Documento genérico costuma pesar pouco. Quanto mais o laudo descreve por que você não consegue trabalhar, melhor.

Um direito extra: isenção de Imposto de Renda

Vale saber que quem se aposenta (ou recebe pensão) e é portador de determinadas doenças graves previstas em lei pode ter direito à isenção do Imposto de Renda sobre o benefício. É um direito separado, que muita gente desconhece e deixa de pedir.

Se a perícia negar, ainda há caminho

Ter o pedido negado é frustrante, mas não é o fim. É possível pedir a prorrogação, recorrer no próprio INSS ou buscar a Justiça, onde uma nova perícia pode enxergar o que a primeira não viu. Se foi o seu caso, veja o nosso guia sobre benefício negado para entender como reagir dentro do prazo.

Perguntas frequentes

Existe uma lista oficial de doenças que aposentam?

Não da forma como muita gente imagina. O INSS não concede o benefício por causa de um diagnóstico específico, e sim porque a doença gera incapacidade para o trabalho. Existe, sim, uma lista de doenças graves na lei, mas ela serve para dispensar a carência, não para garantir o benefício automaticamente.

Preciso ter contribuído por muito tempo para receber?

Em regra, os benefícios por incapacidade exigem uma carência mínima de contribuições. Porém, acidentes de qualquer natureza e algumas doenças graves previstas em lei dispensam essa carência, o que permite receber mesmo com pouco tempo de contribuição, desde que se tenha a qualidade de segurado.

E se a perícia do INSS não reconhecer a minha incapacidade?

É uma situação comum e reversível. Dá para pedir a prorrogação, recorrer administrativamente ou levar o caso à Justiça, onde uma nova perícia pode reconhecer a incapacidade. Guardar laudos, exames e relatórios detalhados é o que mais ajuda nesse momento.

Karolliny Souza, advogada previdenciária

Karolliny Souza

Advogada previdenciária (OAB/SP 497.611), especialista em INSS. Atende on-line, pelo WhatsApp, em todo o Brasil. Conheça a Karolliny.

Este conteúdo tem caráter informativo e educacional, nos termos do Provimento nº 205/2021 da OAB, e não substitui a análise individual do seu caso por um profissional. Regras, valores e prazos do INSS são atualizados periodicamente.

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